Entidades sociais lutam para garantir assistência a comunidades carentes

Atualizado: 5 de Ago de 2020


A crise financeira gerada pela pandemia do novo coronavírus impactou várias famílias de baixa renda no Distrito Federal. As entidades sociais, que atendem a essas comunidades carentes se tornaram uma aliada para muitas mães e chefes de família, que tiveram a fonte de renda impactada pelo desemprego  ou por não poderem exercer a sua função — como os catadores de recicláveis. Cestas básicas, produtos de higiene, roupas e cobertores estão sendo doados rotineiramente por pessoas ou grupos solidários.


Na estrutural, a Creche e Instituto Renascer tem beneficiado 244 famílias carentes com a doação de insumos e itens pessoais. “Esse é um momento muito difícil e a gente tem buscado ajudar com o que podemos. São pessoas que moram em uma região periférica e que estão passando por necessidade, não poderíamos deixá-las desassistidas”, destaca Leila de Fátima Paranelli, 66 anos, coordenadora-geral da instituição sem fins lucrativos.

Leila conta que o trabalho de doação era algo que o instituto já fazia, no entanto, com a pandemia, foi intensificado. “Fazíamos de forma esporádica, com ações pontuais. Mas, percebemos que essas famílias estavam precisando, principalmente de cestas básicas e produtos de higiene”, relata.


De acordo com a diretora geral da Ação Social Renascer, Ana de Fátima Dias Henriques, 60, a maioria dos beneficiados são pessoas que foram dispensadas do emprego. “São autônomos, pedreiros, manicures, a situação está muito difícil. Não estão pedindo porque querem ganhar sem fazer nada, eles estão pedindo por necessidade. E o retorno que nos dão é muito gratificante. Percebemos que estamos fazendo o bem”, pontua Ana.

Além da comunidade atendida na instituição, a ação também se estende para as famílias contempladas na Creche Estrela do Cerrado, em Ceilândia. Virou uma rede de solidariedade que sobrevive em prol das doações. “Estamos fazendo o que podemos. Temos percebido que a cada dia o número de pessoas que bate à nossa porta tem aumentado. Muitas famílias estão com dificuldade de receber o auxílio do governo e elas não podem ficar sem alimentação”, ressalta Ana de Fátima.

Um bazar social também é feito para a doação de roupas e brinquedos. Todos os itens recebidos são repassados, sem custo, para quem precisa. A entrega é feita no próprio instituto, respeitando o distanciamento e as medidas de proteção contra a covid-19. É realizada, também, a entrega de máscaras de tecidos.

Na Expansão de Samambaia, o Instituto Embalando Sonhos tem ajudado cerca de 600 famílias em vulnerabilidade social. De acordo com a pedagoga e idealizadora da instituição, Lady Laura Caetano de Souza, 42, o projeto Desapega Social tem como principal intuito chegar às pessoas que realmente estão precisando de ajuda. “Não é só alimentação, mas, também, roupa de frio, brinquedos, fraldas. Recebemos até doações de sofá, cama. Estamos abertos para qualquer tipo de doação, pois será bem-destinada”, conta Lady Laura.

Segundo ela, essa foi uma forma de deixar a instituição viva, em movimento. “Nós atendemos  a crianças e adolescentes com atividades de balé, aula de reforço, teatro, incentivo a leitura, artes marciais… Mas, com a pandemia, estamos com as atividades suspensas, e não queríamos perder o vínculo com essas famílias. Hoje em dia, estamos mais próximos das mães, avós, dando esse suporte. E está sendo essencial nesse momento”, ressalta.

Na sexta-feira passada, a entidade doou mais de 300kg de filé de frango para 150 famílias da região. A doação foi em parceria com a empresa JBS, que deu as carnes para a instituição. “Nem toda família pode comprar proteína para o almoço. E esse tipo de ação faz toda a diferença”, afirma.

Portas abertas

Grávida de sete meses, Silvana de Sousa Ferreira, 28, sente-se muito grata pela assistência que o Instituto Embalando Sonhos tem dado para a sua família. Ela conta que perdeu o emprego durante a pandemia. “A empresa fez corte de gastos e, atualmente, apenas meu esposo trabalha”, relata. Para Silvana, a ajuda das cestas básicas e de alguma carne ou leite tem um impacto bastante positivo. “Se não fosse as doações, não sei o que faria. Ia faltar algo, tenho duas crianças em casa, contas para pagar, o aluguel. Sou muito grata por toda a ajuda que estão dando”, pontua a moradora do Setor Expansão Samambaia.

Para quem quiser doar, a instituição continua com as portas abertas. O espaço fica na QR 629, Conjunto 4, Chácara 1, na Expansão Samambaia. Lady Laura conta que percebeu uma queda no número de doações ao longo dos meses de pandemia. “No começo, em março, a gente teve um bom apoio. Entendemos a dificuldade econômica das pessoas e até o receio, se essa doação está sendo realmente destinada a quem precisa. Buscamos ser transparentes sempre com tudo que foi doado. O nosso principal foco é ajudar”, relata.

9 visualizações0 comentário